Um fenômeno interessante vem acontecendo de uns anos para cá no cinema de horror ocidental. Estamos sendo invadidos por todas as portas pela produção oriental, e qualquer um que tenha o mínimo de atenção e interesse nesse gênero já percebeu que quando não temos o próprio exemplar oriental batendo nas telas de toda américa, temos um remake da própria américa sendo espalhado pelos cinemas de todas as esquinas. Mas, isso é bom ou ruim?
Responder essa questão não é fácil, principalmente quando não temos um padrão de qualidade confiável no qual nos basear. Ninguém duvida que o gênero de horror oriental é de alta qualidade, e se vocês me permitem uma opinião, em vários pontos bem superior ao nosso. Mas, será que estamos prontos para assimilar o estilo dos olhinhos-puxados?
Ontem finalmente assisti One missed call (Uma chamada perdida) – não vou ficar enchendo o post com indicações sobre o diretor, elenco, dia de nascimento do roteirista e blá-blá-blá, a não ser que isso seja extremamente necessário, mas se quiserem saber, cliquem no link. Ah, e isso vale para o blog todo. – mas como eu ia dizendo, Uma chamada perdida prometia ser um desses filmes que valem a pena: capa interessante, sinopse boazinha, enredo oriental, elenco mais-ou-menos… E o filme tem até bons momentos, mas no todo – como dizer? – não tem consistência. Sabe, daqueles filmes que a estória vem nas suas mãos e escapa, que você não entende direito o porquê do diretor colocar isso aqui e aquilo ali… onde as falas do filme muitas vezes são desnecessária e fatigantes. Um filme que tinha tudo para ser ótimo mas simplesmente… faltou alguma coisa.
Essa é a primeira questão que quero colocar: falta alguma coisa. O que me parece quando estou assistindo uma versão ocidental é que na produção do filme ficou um buraco causado pela adaptação de visões de mundo. Um buraco que fica entre um sussurro apavorante e um grito desesperado. Eu não me sinto uma idiota ao ver um filme japonês, chinês ou coreano (no original); eu sei que não entendo todas as referências que estão fazendo ali, sei que não alcanço todas as notas dos seus acordes. Mas eu consigo sentir o clima, consigo entender porque aquilo faz sentir medo. It makes sense, do you know?.. Bem diferente da adaptação, que quando se trata de atmosfera aterrorizante simplesmente fracassa terrivelmente.
Mas por que fracassa? Talvez por causa do grito desesperado que substitui o sussurro apavorante, talvez porque o olhar lançado naquela hora crucial deva ser sombrio e profundo como um poço, e não azul e furtivo como o mar. Talvez porque o cinema de horror ocidental seja essencialmente diferente do oriental. Mas isso é uma outra história para um outro post. No momento eu ficaria muito feliz com a opinião de vocês na minha caixa de comentários, quem sabe não chegamos juntos ao fim dessa análise?
Até lá, bons sustos!
Rafael Falcón Disse:
on Maio 15, 2008 at 12:40 am
Legal, texto fácil e inteligente. Achei pouco enxuto, muito prolixo, passagens em que você foge do assunto ou simplesmente fala coisas desnecessárias. É bom numa conversa, eu acho, mas certamente não é bom num texto dessa espécie.
Gostei de algumas comparações, tipo a dos olhos, o poço com o mar e tal. Mas ficar pedindo comentário no corpo do post não é muito profissional, eu sugeriria você não se colocar em posição de igualdade com o leitor. Crítica é crítica, o leitor procura uma autoridade, alguém que sabe do que está falando, não alguém para “conversar” sobre o assunto. Aparente ser mais autoritária, causa melhor impressão e não impede que alguém queira discutir o que você diz.
Eu sugeriria também que você procurasse ser mais certeira nas suas afirmações, evitar o “alguma coisa”, o incerto, e tentar determinar exatamente o que é seja lá o que for. Uma vez determinado, o melhor é ir direto ao assunto, e não refazer prolixamente todo o caminho.
Mas ficou legal, como eu disse. Tem duas principais virtudes de uma crítica: a fluência da leitura e o exame analítico. Faltou a sempre esquecida breuitas dos romanos, aquela concisão que a modernidade esqueceu, mas que o público moderno continua apreciando tanto quanto o antigo.
Congratulations.
P.S. na frase em inglês você esqueceu o auxiliar: It makes sense, do you know it?
Rafael Falcón Disse:
on Maio 15, 2008 at 8:23 am
Good morning and you’re welcome! I’m glad it worked.