Arquivo paraAgosto, 2008

Relíquia do dia

Eu não sei se vocês sabem, mas eu adoro gatos. Desde a infância os felinos exercem sobre mim um fascínio místico para o qual eu nunca achei explicação… até hoje.

Vasculhando as estantes do calabouço encontrei bem mais que um enfeite. Achei a sustentação teórica que faltava para a minha total compreensão sobre fenômeno do poder felino. Encontrei: The Uncanny.

Esse filme conta a estória de um escritor de ficção, que entre outras teorias excêntricas, afirma que, na verdade, são os gatos e não os homens que detêm o controle do mundo e da história. Certo, falando assim parece só uma esquisitice, uma espécie velhaca de teoria da conspiração… e não deixa de ser. Mas dentro desse enredo todo fantasioso, se desenrolam três contos de horror fenomenais que exploram a humanidade e a ‘felinidade’ de forma assustadoramente sutil e equilibrada.

Os contos falam respectivamente de ganância, inveja e volúpia – três excessos humanos. E aquele que olhar atentamente verá com facilidade o papel moderador que os gatos assumem factualmente durante o filme, em oposição à caracterização demoníaca feita pelo narrador.

Resumindo, o filme é muito bom. As estórias te jogam de um lado para outro e, ao final, você pode até fazer o exercício filosófico de reler o filme novamente e concordar ou discordar da atitude do editor…

Agora deixo com vocês:

http://www.megavideo.com/?v=03ULAA38

Ah… Só não se esqueça de fechar as janelas antes de rodar o filme. Vai que o bichano do telhado ao lado resolve espiar?..

Defeitos…

Às vezes eu penso que o advento dos efeitos especiais no mundo cinematográfico foi uma punhalada rasteira nos filmes de suspense e horror, daquelas que cortam o tendão do calcanhar de Aquiles e te deixam sem poder andar.

Eu devo admitir que faz bem ver uma cena bem feita e verossímil que você assiste sem precisar lembrar que está vendo um filme. É difícil ver um longa de ficção-científica das décadas de 80 e 90 e não dar o braço a torcer pros Spielbergs & Cia. de hoje em dia.

Mas sci-fi, aventura e ação é uma coisa; horror, meus amigos, é coisa demais. Não dá simplesmente para jogar tudo dentro do mesmo caldeirão e temperar com um efeitozinho aqui, outro ali. Isso nunca salvou um filme de horror e nem nunca salvará.

Contos de Poe no horror valem mais que Corman.

É por essas e outras que na maioria das vezes eu varro os recém chegados filmes Gore para debaixo do tapete e enfeito esse blog com as velhas e raras peças de decoração que acho por aí, perdidas nas prateleiras de quinquilharias dos calabouços virtuais…