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Relíquia do dia

Eu não sei se vocês sabem, mas eu adoro gatos. Desde a infância os felinos exercem sobre mim um fascínio místico para o qual eu nunca achei explicação… até hoje.

Vasculhando as estantes do calabouço encontrei bem mais que um enfeite. Achei a sustentação teórica que faltava para a minha total compreensão sobre fenômeno do poder felino. Encontrei: The Uncanny.

Esse filme conta a estória de um escritor de ficção, que entre outras teorias excêntricas, afirma que, na verdade, são os gatos e não os homens que detêm o controle do mundo e da história. Certo, falando assim parece só uma esquisitice, uma espécie velhaca de teoria da conspiração… e não deixa de ser. Mas dentro desse enredo todo fantasioso, se desenrolam três contos de horror fenomenais que exploram a humanidade e a ‘felinidade’ de forma assustadoramente sutil e equilibrada.

Os contos falam respectivamente de ganância, inveja e volúpia – três excessos humanos. E aquele que olhar atentamente verá com facilidade o papel moderador que os gatos assumem factualmente durante o filme, em oposição à caracterização demoníaca feita pelo narrador.

Resumindo, o filme é muito bom. As estórias te jogam de um lado para outro e, ao final, você pode até fazer o exercício filosófico de reler o filme novamente e concordar ou discordar da atitude do editor…

Agora deixo com vocês:

http://www.megavideo.com/?v=03ULAA38

Ah… Só não se esqueça de fechar as janelas antes de rodar o filme. Vai que o bichano do telhado ao lado resolve espiar?..

Defeitos…

Às vezes eu penso que o advento dos efeitos especiais no mundo cinematográfico foi uma punhalada rasteira nos filmes de suspense e horror, daquelas que cortam o tendão do calcanhar de Aquiles e te deixam sem poder andar.

Eu devo admitir que faz bem ver uma cena bem feita e verossímil que você assiste sem precisar lembrar que está vendo um filme. É difícil ver um longa de ficção-científica das décadas de 80 e 90 e não dar o braço a torcer pros Spielbergs & Cia. de hoje em dia.

Mas sci-fi, aventura e ação é uma coisa; horror, meus amigos, é coisa demais. Não dá simplesmente para jogar tudo dentro do mesmo caldeirão e temperar com um efeitozinho aqui, outro ali. Isso nunca salvou um filme de horror e nem nunca salvará.

Contos de Poe no horror valem mais que Corman.

É por essas e outras que na maioria das vezes eu varro os recém chegados filmes Gore para debaixo do tapete e enfeito esse blog com as velhas e raras peças de decoração que acho por aí, perdidas nas prateleiras de quinquilharias dos calabouços virtuais…

O Bebê de Rosemary

Acabei de assistir pela segunda vez O bebê de Rosemary. E ele entrou na minha classificação de filme excelente. E cena do filmetambém na de filme clássico.

Deixe eu explicar… Para um filme ser excelente ele tem de ser visto duas vezes, e a segunda tem de ser tão fundamental quanto a primeira. Para ser um clássico precisa não ser passível de erros, ou seja, você assiste a segunda vez e não pega nenhum furo na história, muito pelo contrário, pega detalhes que você nunca teria percebido na primeira olhada mas que depois de vistos faz o sentido da história ficar ainda mais completo.

Se querem uma dica, aí vai: toda vez que vocês se depararem com um filme que julgam bom, assistam novamente e vejam se ele passa no teste de excelente.

Se passar, me contem para eu ver também!

Updated:

Se quiserem assistir, o filme está disponível online e legendado no site do Megavideo, é só fazer a pipoca enquanto espera carregar!

A orientalização dos filmes de horror – Parte 1

Um fenômeno interessante vem acontecendo de uns anos para cá no cinema de horror ocidental. Estamos sendo invadidos por todas as portas pela produção oriental, e qualquer um que tenha o mínimo de atenção e interesse nesse gênero já percebeu que quando não temos o próprio exemplar oriental batendo nas telas de toda américa, temos um remake da própria américa sendo espalhado pelos cinemas de todas as esquinas. Mas, isso é bom ou ruim?

Responder essa questão não é fácil, principalmente quando não temos um padrão de qualidade confiável no qual nos basear. Ninguém duvida que o gênero de horror oriental é de alta qualidade, e se vocês me permitem uma opinião, em vários pontos bem superior ao nosso. Mas, será que estamos prontos para assimilar o estilo dos olhinhos-puxados?

foto do cartaz oficialOntem finalmente assisti One missed call (Uma chamada perdida) – não vou ficar enchendo o post com indicações sobre o diretor, elenco, dia de nascimento do roteirista e blá-blá-blá, a não ser que isso seja extremamente necessário, mas se quiserem saber, cliquem no link. Ah, e isso vale para o blog todo. – mas como eu ia dizendo, Uma chamada perdida prometia ser um desses filmes que valem a pena: capa interessante, sinopse boazinha, enredo oriental, elenco mais-ou-menos… E o filme tem até bons momentos, mas no todo – como dizer? – não tem consistência. Sabe, daqueles filmes que a estória vem nas suas mãos e escapa, que você não entende direito o porquê do diretor colocar isso aqui e aquilo ali… onde as falas do filme muitas vezes são desnecessária e fatigantes. Um filme que tinha tudo para ser ótimo mas simplesmente… faltou alguma coisa.

Essa é a primeira questão que quero colocar: falta alguma coisa. O que me parece quando estou assistindo uma versão ocidental é que na produção do filme ficou um buraco causado pela adaptação de visões de mundo. Um buraco que fica entre um sussurro apavorante e um grito desesperado. Eu não me sinto uma idiota ao ver um filme japonês, chinês ou coreano (no original); eu sei que não entendo todas as referências que estão fazendo ali, sei que não alcanço todas as notas dos seus acordes. Mas eu consigo sentir o clima, consigo entender porque aquilo faz sentir medo. It makes sense, do you know?.. Bem diferente da adaptação, que quando se trata de atmosfera aterrorizante simplesmente fracassa terrivelmente.

Mas por que fracassa? Talvez por causa do grito desesperado que substitui o sussurro apavorante, talvez porque o olhar lançado naquela hora crucial deva ser sombrio e profundo como um poço, e não azul e furtivo como o mar. Talvez porque o cinema de horror ocidental seja essencialmente diferente do oriental. Mas isso é uma outra história para um outro post. No momento eu ficaria muito feliz com a opinião de vocês na minha caixa de comentários, quem sabe não chegamos juntos ao fim dessa análise?

Até lá, bons sustos!